
O IRB Brasil Resseguros pretende expandir sua área de atuação para América Latina a partir do final de 2011. Para isso, a empresa precisará primeiro consolidar sua posição de liderança no mercado nacional.
A estratégia de internacionalização dependerá da parceria com o Banco do Brasil, que negocia aquisição da fatia da União na empresa. O capital do IRB é 50% do Tesouro Nacional e 50% de uma aliança de seguradoras brasileiras privadas.
As informações foram dadas ontem pelo presidente do IRB, Eduardo Nakao, durante café da manhã realizado pela Câmara de Comércio França Brasil, no Rio de Janeiro, que discutiu a criação de um centro internacional de resseguros na cidade.
Nakao afirmou que o IRB não pretende montar uma estrutura fora do Brasil. A expansão se daria por meio de parcerias com seguradoras que atuam na América Latina. Segundo ele, esses países têm potencial para seguros do tipo garantia e de engenharia.
Em relação ao Brasil, Nakao disse acreditar que o momento é de consolidar a posição de liderança do IRB, que durante 69 anos foi o detentor do monopólio estatal do setor de resseguros. Em 2007, o monopólio foi quebrado, mas mesmo assim a maior parte do risco de seguro no Brasil ainda é repassado ao IRB.
Nakao admitiu, que, no momento, tanto a empresa quanto o mercado não têm condições de segurar todo o risco dos grandes projetos em andamento no Brasil, como a exploração de petróleo no pré-sal, a construção das grandes usinas hidrelétricas e a realização da Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.
De acordo com ele, novas resseguradoras terão de entrar no mercado para que ele consiga atender a demanda por risco. A criação de um centro internacional de resseguros no Brasil, inclusive, ajudaria o País nesse sentido, acredita. “A despeito do fim do monopólio, por conta da crise não tivemos um grande número de resseguradoras estrangeiras entrando no mercado brasileiro. Para suportar esses novos riscos, teremos que cadastrar novas companhias no Brasil”, disse.
Mesmo sem a adesão imediata ao mercado nacional por parte de novas resseguradoras o setor tem tudo para crescer no Brasil, avalia Nakao. Segundo o executivo, tanto o mercado de seguro quanto o de resseguro, devem crescer em torno de 9% ao ano. “No ano passado o setor cresceu um pouco acima dos 9%, que entendo que seja uma taxa conservadora.”
Em relação a negociação com o BB, Nakao disse acreditar que ela seja concretizada até o final deste ano. De acordo com o executivo, o banco já tem uma “participação marginal” no pool de seguradoras que detém metade das ações do IRB. Com a possível compra da metade pertencente ao Tesouro, o banco ficaria com a maior fatia do capital do IRB e, portanto, com o controle da empresa.
“Como técnico eu acho que essa parceria será muito boa para o IRB. Em todo o mundo temos conglomerados de seguradoras, resseguradoras, bancos de investimentos e bancos comerciais. A partir dessa operação, teremos algo desse tipo no Brasil”, afirmou.
INCENTIVO ESTATAL. A criação de um centro internacional de resseguros no Rio tem o apoio do governo do estado e da prefeitura. A ideia seria criar uma agência de fomento a atividade no Brasil, incentivando a abertura de novas empresas e capacitando profissionais para a área.
Presente ao evento, o secretário do Estado de Fazenda, Joaquim Levy, disse que é de interesse do governo trazer o centro para o Rio, justamente por conta da potencial demanda do setor e pelo fato de atrair grandes empresas internacionais para o estado. “É interessante criar o centro no estado porque trará grandes corporações para o Rio. Além disso, o resseguro é um setor que tem perspectivas fantásticas”, afirmou Levy.[8]
A secretária de Fazenda do município, Eduarda La Roque, também participou do evento e informou que o município está disposto a conceder incentivo fiscal, com redução de ISS de 5% para 2%, às seguradoras e resseguradoras que se instalarem no Rio.
“Pretendemos dar incentivo a essa área da economia, mas temos uma série de contrapartidas que vamos exigir dessas empresas.” A secretária sugeriu a construção do centro na Zona Portuária, que no momento recebe investimentos para sua revitalização.
Fonte: Segs Portal Nacional, 08 de março de 2010.